Dmitry Ovcharenko, o "Rambo" soviético

A imagem de um herói furioso, num cenário totalmente adverso, enfrentando e derrotando sozinho dezenas de inimigos de uma só vez é um tema bastante recorrente em filmes de ação de Hollywood. Mas há pelo menos um soldado soviético que poderia assistir a uma essa cena dessas e afirmar com ar blasé: "não me impressionou". Ele se chama Dmitry Ovcharenko (1919-1945).

Dmitry Ovcharenko era um humilde camponês que se dedicava ao corte de lenha, à marcenaria e afazeres rurais com sua família antes da Alemanha Nazista invadir a Rússia. Talvez esse perfil tenha influenciado a decisão de seus superiores de deixá-lo responsável por transportar as carroças com ferramentas, munição e suprimentos para uso dos soldados, logo depois que Dmitry foi convocado para servir no Exército Vermelho.

Em meados de 1941, quando conduzia a carroça para sua unidade militar na Moldávia, Dmitry foi interceptado por um enorme grupo de militares nazistas - três oficiais e aproximadamente 50 soldados. Rendido, Dmitry entregou seu rifle enquanto um oficial nazista se aproximou para interrogá-lo. Não se sabe se os alemães estavam convencidos da parca inteligência do soldado eslavo - vistos pelos nazistas como sub-humanos -, ou acreditavam que ninguém em sã consciência tentaria bancar o herói estando desarmado e cercado por mais de 50 militares. Mas o fato é que ninguém se atentou (ou se importou) com o machado que estava repousando na carroça ao lado da qual Dmitry era interrogado.

Ninguém, exceto o próprio Dmitry. O lenhador, obviamente habituado com o uso da ferramenta, agarrou repentinamente o machado e, com um só golpe, arrancou a cabeça do oficial nazista que o interrogava. Os soldados, surpreendidos pelo que tinham acabado de testemunhar, demoraram alguns segundos para reagir enquanto viam o corpo sem cabeça do comandante do destacamento ir ao chão. Foi tempo suficiente para que Dmitry pulasse dentro da carroça e sacasse o pino de três granadas, que ele então arremessou da direção dos soldados.

Ao barulho das explosões, seguiram-se os gritos dos soldados nazistas. Quando a fumaça se dissipou, Dmitry pode ter uma boa percepção do estrago, com corpos de nazistas em pedaços espalhados ao redor da carroça. Confusos e assustados, os soldados nazistas que não haviam sido atingidos pelas granadas debandaram, mas Dmitry ainda teve tempo de usar o machado para atacar alguns e chegou a decapitar o segundo oficial. O terceiro conseguiu escapar. Antes de deixar o local, Dmitry coletou documentos, mapas e pertences pessoais dos soldados e os levou para sua unidade.

Ao contar o ocorrido, enfrentou o ceticismo dos colegas, que acharam o relato fantástico demais para ser verídico. Mas os soldados enviados pelo seu superior para sondar as redondezas confirmaram a história - encontraram os dois oficiais com as cabeças decepadas e os cadáveres de 21 soldados alemães ao lado da carroça abandonada. Comprovado o ato de heroísmo, Dmitry recebeu do comandante da Frente Sul a mais alta condecoração possível - o título de Herói da União Soviética.

Dmitry seguiu lutando bravamente contra os nazistas durante quase toda a guerra, mas o destino lhe reservara o mesmo fim que foi comum a quase 1/6 da população soviética no período. Durante a batalha pela libertação da Hungria, Dmitry foi gravemente ferido e morreu no hospital de campanha no dia 28 de janeiro de 1945, poucos meses antes da derrota da Alemanha Nazista.

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