Iscas de jacaré

Durante o século XIX, a caça de jacarés desenvolveu-se enormemente no sul dos Estados Unidos. A prática era de alta rentabilidade, uma vez que o réptil era quase inteiramente aproveitável - o couro servia para a fabricação de sapatos, bolsas, cintos e outros itens de luxo e a carne era vendida a preços elevados para consumo humano.

Os caçadores costumavam utilizar iscas vivas para atrair e matar os répteis, mas eventualmente se cansaram de perder animais na atividade e resolveram substituí-los por algo que, por mais absurdo que nos pareça, consideravam mais descartáveis - bebês negros, filhos das suas escravas. Os bebês eram tirados de suas mães, amarrados em cordas e colocados em pântanos para atrair os animais, que eram então abatidos. Não raramente, as crianças eram parcialmente esfoladas vivas, para que o sangue e o choro atraísse as presas.

A prática era tão comum que acabou se tornando um item presente no imaginário popular do Sul dos Estados Unidos. São abundantes os exemplos de artesanato representando o costume, bem como souvenirs, cartões postais e embalagens, com imagens de bebês negros servindo como presas para jacarés. Até mesmo uma música popular foi composta com esse tema em 1899: "Mammy’s Little Alligator Bait", de Henry Wise e Sidney Perrin.

Mesmo após a abolição da escravidão, a prática persistiu no Sul dos Estados Unidos por várias décadas. A título de exemplo, um artigo da revista Time publicado em 1923 informava que "bebês de cor estão sendo usados como isca de jacarés na cidade de Chipley, na Flórida".



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